Turismo e Lazer

História

Fundada em 24 de dezembro de 1635, sendo uma das cidades mais antigas da Amazônia. A palavra Cametá é de origem Tupi e deriva de “Cáa” (Mato/floresta) ou “Mutã”, uma espécie de degrau instalado em galhos de árvores feitos pelos índios para esperar a caça ou para morar. Segundo o historiador Carlos Roque, o significado literal de Cametá é “degrau no mato”. Atribui-se a Frei Cristóvão de São José, um frade capuchinho, o episódio da fundação do primeiro povoado, por volta do ano de 1620,que deu origem ao município de Cametá. O povoado é datado em 1617 e a data da fundação oficial em 1635. A cidade foi capital do estado do Pará por um período de 11 meses no período da cabanagem. O município se favoreceu bastante dos ciclos da borracha e do cacau, embora a cidade tenha experimentado melhores condições social e financeira com plantio e colheita da pimenta-do-reino.

Cultura Cametaense

A cidade de Cametá, além de estar cercada pela bela natureza amazônica e ter um povo simpático e hospitaleiro, possui uma grande riqueza natural. A cultura cametaense é marcada pela mistura de várias etnias: Indígena, francesa, portuguesa, e tais influências são nitidamente visíveis no jeito de ser cametaense que chama a atenção: a forma de falar, cantar, dançar ou vestir.

A apreciação da gastronomia regional do Município contém uma grande variedade de pescados e frutos regionais, e pode ser identificada a partir da riqueza de possibilidades que a comunidade cria, para o melhor aproveitamento de seus recursos naturais.

A culinária típica de Cametá tem como base o peixe Mapará e uma espécie de camarão: o aviú. São diversos os modos de preparar o mapará: frito, assado na brasa, envolto na bananeira, caldeirada de mapará com legumes e limão, e o mapará assano na brasa com lixo dentro (coloca-se dentro do referido peixe vários temperos como tomate, alho, cebola, cheiro-verde, pimenta do reino, etc. Daí provém o nome desta iguaria cametaoara), além do refogado de aviú com maxixe e os bolinhos de aviú, ou ainda a torta de camarão. Também apreciamos outros pescados como o Tucunaré, a Pescada, o Jacundá, o Filhote, o Tamuatá, a Jutuarana, a Arraia, o Mandií, entre outros. Quem vai até o município tem parada obrigatória nos restaurantes para saborear um desses pratos que são referência na culinária local. E ainda no final da tarde tem o delicioso tacacá, que já é tradição pelas ruas da cidade. Na cidade há dois grandes eventos da cultura cametaense que “arrastam” para o município milhares de pessoas, que é o carnaval e as festas juninas, sendo o carnaval o evento de maior repercussão tanto na cidade, como fora. E apesar das influências do resto do país, o cametaense não cansa de se nutrir do gosto das coisas da terra, a sua essência, que não lhe deixa partir.

E é claro que não poderíamos deixar de esquecer dois elementos essenciais para a alimentação dos cametaenses: a farinha de mandioca e o açaí, que oferecem um sabor todo especial para as sagradas refeições de cada dia.

Merece destaque também outros produtos alimentícios que enriquecem nossa culinária, são os frutos regionais, cuja variedade e sabor aguçam nosso paladar. Assim, nos deliciamos com estas frutas exóticas que compõem nossas sobremesas (o Bacuri, o Cupuaçu, o Taperebá, o Jacaiacá, o Piquiá, a Pupunha, o Muruci, o Uxi, o Miriti, o Inajá, o Jambo, o Tucumã, o Ajuru, entre outros). Alguns desses frutos nos oferecem apenas o suco e outros, além disso, também são utilizados para fazer pudins, cremes, doces, geléia…, enfim, os frutos regionais sempre são bem-vindos à nossa mesa de qualquer maneira, inclusive muitas pessoas apreciam boa parte desses frutos amassados somente com açúcar e farinha.

Além de todas essas delícias que as frutas nos oferecem, temos também os famosos mingaus que são altamente nutritivos, sendo os preferidos de farinha de mandioca ou arroz, adicionados com açaí, leite, bacaba, castanha do Pará, além do famoso mingau de curueira. Outro alimento muito consumido e apreciado pelo cametaense é a Paçoca de Gergelim.

Não podemos deixar de citar a pesca do Mapará, um ofício e modo de fazer, acontece no município de Cametá todos anos no período de março a outubro, envolvendo os pescadores da região do baixo Tocantins, que se mobilizam para executar essa prática. Tal acontecimento movimenta a economia local e garante renda para os pescadores que também praticam outros tipos de pesca destinada a captura do camarão, pescada e a dourada. Após a captura, os peixes, na grande maioria, são comprados no local pelos atravessadores, que negociam com os pescadores a venda do produto, seguindo para mercados, feiras livres e vilas do município de Cametá. Apenas uma pequena parte do produto é destinada ao consumo da família do pescador, que com os recursos obtidos pela atividade consegue manter sua subsistência. A atividade envolve o repasse de conhecimento para as futuras gerações, como alternativa de sobrevivência e para o desenvolvimento econômico do município.

Carnaval Cametaense

O Carnaval em Cametá é o evento mais marcante festejado pelos cametaenses, que já acontece desde muito tempo no mês de fevereiro, onde a cidade recebe milhares de visitantes de dentro e fora do estado, o que ajuda a impulsionar a economia local, sendo de fundamental importância para a identidade cultural do município, e que faz deslanchar a economia local com a vinda de turistas de diversos municípios do Pará e de fora do estado. Há diversões para todos os gostos, desde os adolescentes que curtem uma versão moderna do carnaval eletrônico até os nostálgicos fãs do carnaval das marchinhas. Um dos momentos mais aguardados é o desfile das escolas de samba, baseadas no modelo de carnaval carioca, mas exibindo fantasias bem regionais. Além das escolas de samba, também passa pelo corredor da folia blocos infantis, religiosos, abadás e blocos, e também todo sábado de Carnaval acontece o baile de máscaras que já é tradição na cidade de Cametá e ocorre em um salão de eventos.

Desde a década de 30, muitos blocos de carnaval surgiram e apesar da maioria dos mais antigos não existir mais, foram substituídos por outros. Na década de 90, influenciados pelo axé baiano, Cametá traz para a avenida os blocos de abadá. Atualmente Cametá conta com a presença de seis escolas de samba: Império de samba A favela (1937) – quinta escola de samba mais antiga do Brasil – Embaixada de samba não posso me amofinar (1948), A chaleira (1966), Unidos de Brasília (1976), Amor e samba (1977) e Verde e rosa (1989).

O carnaval de Rua em Cametá ocorre todos os anos desde o início do século XX durante o mês de Fevereiro. É uma forma de expressão popular que teve início a partir da introdução dos cordões carnavalescos oriundos do interior para a cidade. Estes seriam os responsáveis pela introdução do carnaval na cidade, que inicialmente eram feito em bailes organizados em salões e residência de amigos. Esses bailes, onde muitos usavam máscaras, ultrapassavam as fronteiras dos salões e ganhavam as ruas. Desde então diversas escolas de samba surgiram no município e suas características estão representadas através de grandes alegorias e adereços, que são mantidas em segredo pelos carnavalescos até o momento da apresentação.

Carnaval das Águas.

O carnaval das águas, como ficou conhecido na região, apresenta esse nome por ser um folguedo que tem como principal avenida de desfile as águas dos rios. Uma das principais características desse folguedo é seu aspecto teatral, com manifestações que começam suas encenações no rio ultrapassando essa fronteira e “invadindo” a avenida do samba.

O carnaval das águas surgiu da vontade dos nossos conterrâneos que residem nas ilhas de brincar o carnaval. Deste modo, os cordões carnavalescos tornaram-se tradição em algumas localidades do município de Cametá, sendo que estes têm como personagem: a bailarina, o casal de velhos, os palhaços e o travestir que  fazem a alegria dos brincantes.

 PRAIAS E BALNEÁRIOS

 Aldeia de Parijós (Praia da Aldeia)

Situada às margens do rio Tocantins, sendo o balneário mais frequentado, tanto pelos cametaenses como pelos turistas que visitam a cidade. e de grande referência no município, com água doce, e cheio de riquezas naturais onde há casas bem estruturadas, assim como opções de bons restaurantes, que oferecem almoço e jantar, tira-gosto e bebidas. Distante aproximadamente 03 km do centro, gastando-se o tempo de 5 minutos neste trajeto (veículo automotivo) e possui infraestrutura necessária para a atividade turística.

Cametá Tapera

Situada às margens do rio Tocantins, na vila de Cametá-Tapera, ao norte da sede do Município. A comunidade tem como seu modo de produção a agricultura de subsistência, a pesca (associação de pescadores). Na comunidade, o Camarão Aviú é ingrediente de vários pratos da culinária local, assim como o Mapará, e a pescada. A praia, de beleza cênica singular, conta com um bosque de castanheiras centenárias. Na praia de Cametá tapera ocorre grande concentração da pesca do mapará e de aviú. Os meios de acesso ao atrativo são: rodoviário e hidroviário. A distância do núcleo urbano é de aproximadamente 10 km, gastando-se aproximadamente 20 minutos (veículo automotivo).

Cupijó

A comunidade do Cupijó, localizada às margens do Igarapé do Cupijó, com o importante rio que nasce dentro do município de Cametá e deságua no rio Pará,

tem seu acesso pela rodovia Transcametá e dista do centro de Cametá cerca de 13km, com percurso de aproximadamente 20 minutos. O balneário do Cupijó é uma opção de lazer e entretenimento frequentado nos finais de semana e no mês de julho pela população local; possui infra – estrutura de atendimento com bar, restaurante e barracão para festa.

PRAÇAS

 Praça Joaquim Siqueira (Praça das Mercês)

Situa-se próxima à Igreja Nossa Senhora das Mercês, ao Instituto Nossa Senhora Auxiliadora e a feira. Durante a primeira metade do século XX, seu formato apresentava um amplo espaço de gramas e árvores espalhadas pelas laterais, sendo posteriormente transformado em praça. Eram comuns campeonatos de futebol entre clubes como São Benedito, da Matriz e das Mercês. Na década de 70, foi construído um calçamento para dar maior mobilidade às pessoas, e no ano de 2006 a praça foi revitalizada com reinauguração em 2008. Atualmente a praça é caracterizada pela presença de um chafariz ao centro, bancos, iluminação e é usada para lazer, eventos religiosos e como fonte de renda.

Praça Deodoro da Fonseca (Praça da Cultura)

Também conhecida como praça da cultura, envolve vários espaços: o Jardim dos Artistas, no qual temos a presença de bustos de diversos artistas cametaenses; a Praça da Bandeira, onde tem a presença de um monumento dedicado à Cabanagem – um marco na história do povo Cametaense, que teve intensa participação popular; e a Praça da Justiça, que apresentava um monumento, posteriormente retirado. Atualmente é um excelente espaço para eventos cívicos, como o desfile das escolas da rede estadual e municipal de educação em comemoração ao dia da pátria.

Praça Raimundo Peres (Praça do Titio)

 Essa praça contém vasta área verde em canteiros elevados, onde existem alguns brinquedos infantis. No espaço central, encontra-se um obelisco em mármore polido cinza, em homenagem ao jornalista cametaense Raimundo Peres. Na praça aos domingos, funciona a feira de artesanato local, além disso, é um espaço de lazer para crianças, encontro de amigos e concentração de blocos durante o carnaval.

Praça dos Notáveis.

A Praça dos Notáveis, localizada em frente à orla da cidade de Cametá, é um lugar integrado à Igreja de São João Batista. No início do século XX, a praça era conhecida como “Praça da Matriz”, apresentando um amplo gramado na parte central e nas laterais da Igreja de São João Batista. Toda arborizada por jasminzeiros contém um cruzeiro em madeira e também um coreto, que preservados na atualidade, mesmo com as intervenções realizadas ao longo do tempo.

IGREJAS

 Igreja de São João Batista

A construção da igreja foi iniciada em 1757 após a implantação da ordem dos Mercedários no município. A elaboração foi do arquiteto Antônio Landi. A igreja de São João apresenta as seguintes características arquitetônicas: torre de secção quadrada com vãos em arcos plenos, coroada por platibanda de balaústre com remate em pináculos; frontão curvilíneo encimado por cruz e contornado por cornija, tendo no interior uma marcação em arco pleno descansado em pilastras de ordem dórica; óculo de iluminação do côro vedado em ferro e vidro formando eixo de simetria com a porta principal; painel cego emoldurado, correspondente ao vão de janela em arco abatido; e fachada de composição simétrica, apilastrada com predominância de linhas clássicas. Além disso, a igreja possui forro do altar-mor de madeira trabalhado em relevo, de autoria

 Igreja de São Benedito

A Igreja de São Benedito foi construída no contexto histórico da escravidão, daí a proibição de cultuar um santo negro nas igrejas da elite escravocrata, em Cametá. Por causa desta discriminação os negros escravos alforriados cametaenses, em 1872, constroem a Igreja de São Benedito com a ajuda da população, incialmente feita com suas paredes de barro, passou por inúmeras modificações com o passar dos anos e hoje a igreja tem toda sua estrutura em alvenaria.

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro da Aldeia

A igreja é uma construção do século XIX, um período em que Cametá vivia o auge de exportação de cacau. A igreja representa um período rico do município e apresenta as seguintes características: torre central em estilo colonial espanhol, coroada por frontão curvilíneo e ladeado por volutas e ornatos piramidais; vão em arco pleno vedado por esquadria de madeira e vidro com guarda corpo em ferro trabalhado; colunas com tendência toscana sustentando a arcada de composição do Galilé; mesa do altar-mor em madeira de composição clássica, simplificada com pinturas sugerindo mármore, de autoria do mestre Jeremias; e Vista em direção ao altar-mor, destacando o arco cruzeiro trabalhado em painéis no seu coroamento, repousando em colunas estilizadas.

Texto e Fotos
Toninho Castro
Departamento de Turismo de Cametá

Fotos
Bruno Veiga
Departamento de Comunicação


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